sábado, 21 de abril de 2012

Por tudo isso e muito mais Eu Amo Trancoso



Período Sabático
Primeira Carta


Entendi de escrever cartas, como antigamente ,porque cartas tem um tom menos expresso, sem urgência .Estou assim, sem urgência nenhuma. E cada e mail tem virado uma carta o que me faz sentir muito bem com a atenção que estou podendo dar aos que prezo como amigos .Para amar a gente precisa de tempo.

 Vivo e escrevo em um País chamado Brasil, estou  na Bahia, Estado quase país tal a língua própria que se fala, a filosofia que se vive ,a mistura de raças e de estilos em que o sui generis é corriqueiro .A baiana que vende acarajés há muito tempo é um baiano e é perfeitamente natural ,não é de agora .O sotaque do idioma baianês pinta as palavras, você vê o que se fala com cor e tudo . O jeito que a Nilma faz a resenha quando chega na hora de servir o café da manhã. E Nilma se chama Bunita .E Bunita ela é. E conta tudo, quem morreu de tiro, as  piriguetes , o forró, o brega .Esparrama notícias com cores fortes e desabridas. Ousa gestos enquanto lava a louça e se entrete com outros afazeres. E da conta de tudo rindo, conversando no celular, falando de moda e de novela. Bunita faz faculdade, e é mãe da Letícia uma princesinha  de 2 anos, perfumadíssima  ,sempre no charme dos cuidados maternos.

     Bunita                                                       Letícia
Ontem, no JN vi que os índios Pataxós com a cara pintada de vermelho lá da cidadezinha de Pau Brasil, lugar perto  daqui de  Trancoso estão reivindicando terras em disputa que já vai longe e que seria necessária a intervenção do exército.
Brasil é assim, este total desiquilíbrio, este assombro pelo imenso. É terra de muito chão. Acontece de não haver consideração pelas leis ,e não são casos isolados ,são casos amontoados, esquecidos, pagos para não ser lembrados.
Tudo aqui é tão lindo, o ar é límpido ,o céu brilhante, o verde, todos os verdes ao alcance das mãos, a natureza rica, nítida em todos os seus detalhes reduz a nós em simples mortais presenteados com esta apoteose que temos  que ter a atenção de preservar.
Neste período Sabático a que me propus ,priorizei saúde, bem estar, libertação de crenças , pessoas e pensamentos tóxicos, e agora começo a enxergar um caminho
que aos pouquinhos vou revelando  nas cartas  que vou escrevendo porque assim não fico ansiosa e nem crio expectativas em quem me lê.
Quando cheguei, há meses, e fui acolhida  com muito carinho por minha amiga irmã Vanessa ,meus músculos estavam tensos, o pescoço arqueado, os pensamentos saltavam uns sobre os outros numa grande desordem. Estava cansada, doía tudo, principalmente  a alma e o mundo não me parecia um lugar habitável .Estava acima do peso e cheguei com a proposta de emagrecer para salvar minha coluna e me livrar das dores. Parece que foi ontem e que não foi comigo, o tempo voou sem deixar traço, em seu lugar deixou saúde, energia ,calma, e uma certa santidade misteriosa que chega pelas andanças diárias do Villas ao Rio da Barra.
                                  Eliana Farhat e Vanessa
Tudo é novo sob o sol, li mais de uma dezena de bons livros, pouco escrevi mas brinquei feito criança solta e feliz.













Laila um dia deixou um livro para que eu lesse com a certeza de que eu iria gostar muito “O Arroz de Palma”, de Francisco Azevedo. Meu Deus! Que Saudade! foi ver meu pai e  minha mãe na minha frente, foi sentir a vida com os olhos apertados e as lágrimas rolando mansas. Fui meu mar ,meu rio, minha água inteira de saudade. Saudade sim!
Fui o luto que não me permiti viver, as louças encaixotadas, guardando histórias .As frases que meu pai dizia. A voz de meu filho menino .Os rostinhos de cada um de meus netos. Grudei no livro,ri e chorei com êle , abençoei o escritor mil vezes por me fazer arder de amor do jeito antigo ,sem pressa ,como tem que ser. Senti saudade de casa, das minhas meninas, do meu cachorro Lovan, dos meu amigos de lá. Eita! Coração, aprendiz e esforçado.
Os sentimentos são nosso jeito de ser humanos.
Os pensamentos são coisas por vir.
Hoje nem existe longe.
Pela FB acompanho a viagem de Ronnie e Adriane à Big Apple.
Por telefone falo com a Fabi e ouço o choro da Lorena. Notícias constantes de Sérgio e Flávia.
Acerto as próximas viagens. Pesquiso promoções, comparo preços.
Oficina de Trabalho






         
         
                                  Oficina de Trabalho
É um céu ,vasto céu onde perco o pensamento na busca pelo  destino pois ando tão livre, tão livre que tem hora que me perco de mim.

7 comentários:

Arnaldo Norton disse...

Grande ideia essa de voltar a escrever cartas à moda antiga !
E Vc escreve bem !...Deu-me imenso prazer ler a sua linda carta.
Escreva mais !

Jorge Sader Filho disse...

Cris, aqui a gente vai vivendo. Aí vai existindo...
Basta conferir as fotos, o que você escreve e, de modo especial, transmite.

Beijos,
Jorge

Anônimo disse...

Cartas são para uma vida toda, com sentimento, emoção, coisas que estão passando desabercebidas nesse mundo virtual é é muito bom saber que ainda tem gente que cultiva essas coisas "antigas". Nesse meu mundo vc é sempre bem vinda para anos sabáticos ou não, cartas, silencio, meditação ou ação. Bjs no coração....Vá

Estela disse...

"Eita! Coração, aprendiz e esforçado."

Eita! Vida boa!
Mil "Xêros".

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Meu Deus, que lugar. E que bem que te faz estar por aí, nesse paraíso, Cris. Meu avô paterno nasceu não muito longe de onde você está - Camamu, litoral sul da Bahia. Aproveite muito esse tempo que você se deu. Um beijo.

Phivos Nicolaides disse...

Lindo!

Graça Pereira disse...

Cartas...são outra coisa! E sem tempo para as remeter...melhor ainda!
Gostei deste novo registo.
Continue nesse paraíso, encontrando palavras que nos encantam.
Beijocas
Graça